Eu gosto bastante de um filme que passa
uma mensagem sobre o amor: tá aí do teu lado, agora, é só querer prestar
atenção que você vê. Tá bem - pensava até então - quando eu perceber que
conheci uma menina bem legal, tipo aquela do filme, irei atentá-la pra esta
nova descoberta. Veja só, meu bem este é o segredo, descobrimos a roda
do enlace entre duas almas venha comigo, vamos juntos.
Peraí, mas isso aí tá parecendo uma bula de vida - une bulle vide (?)- ou receita pronta pros cookies do afeto. Apreciando a situação com mais paciência percebo que nos últimos tempos encontrei o amor apaixonado, da entrega e da admiração.
Também me lembrei de uma referência a um debate entre uns camaradas gregos discutindo a essência de Eros. Bem variadas, elas mencionavam um ser de mil braços e vários sexos que causava medo aos deuses e por isso foram divididos em homem e mulher. Assim, amor seria a vontade eterna de ser novamente um só, poderos@ e gigantesco de fazer tremer o Olimpo; a paixão pelo que não se tem. Outro camarada olha mais pra uma uma relação de dois componentes o virtuoso e aquele que admira esta virtude (erasta e erômeno), outro menciona a paixão pelo belo. No fim vem o Sócrates e fala que mais ou menos o tal Eros é a pulsão pelo que nenhuma pessoa tem, a imortalidade, e por isso nos lançamos em brigas por valores etéreos como honra, justiça e por isso os homens como animais pelejam para se perpetuar em seus filhos, buscando um momento a mais na terra - uma busca, pois no mito que ele conta o Amor é filho do Caminho e da Penúria. Mas pra essa procura ocorrer deve-se ao menos uma vez na vida instintivamente perceber o belo em si, sentir aquele impulso animalesco de é essa mesmo, o "I got to see about a girl".
Vivi lindos momentos dedicando me à busca desta identificação, de baratinhos que se sente quando está com outra pessoa, memoráveis. Vivi o amor que cabe no breve espaço de beijar como Drummond pontuou, perdi o medo da morte depois de muito amar como aconselha o Hemingway e, cara, foram momentos de valer esta vida. Mas, em se tratando de momentos de descoberta e de desilusão, porque vão se escasseando ao longo de um processo de amadurecimento no qual a gente fica mais atento às coisas e não romantiza tanto, ainda TE pergunto, cadê o amor? Vai chegar o dia em que um desses momentos efusivos e intensos possam estar na minha vida mais ou menos regularmente, ou a procura é a finalidade e não estou atrás de alguém mas do caminho?
Resposta não sei se tenho, mas olha só:
Tava em uma festa esses dias com muita
gente se divertindo, muita energia. Era um lugar onde pouca expectativa eu
tinha de encontrar mais que uma paixonite, o que não é ruim. Mas, o que eu achei foi mais uma pista pra maneira de como
meu amor é, será ou seria.
Encontrei uma princesa, levamos um papo
legal e eu curti ela bastante - alto astral demais. No mais levamos aquele papinho
típico. Trocamos uma ideia. Escutei essa música, ela aquela. Eu disse que
gostava de um livro, ela de outro.
A música, linda menciona aquele momento
impar de contato iluminado entre dois seres, que pode ser de pai pra filho ou
de amante pra amante, em um caminho da vida que nem sempre é fácil, mas é salvo
pela metáfora do amor:
“Hoje eu acordei com medo mas não
chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem
presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era
medo
Era uma coisa sua que ficou em mim
De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás”
Até aí, ok. Não passa do momento,
aquela coisa boa pra lembrar. Mas o livro do Marcelo Rubens Paiva, Feliz Ano
Velho, que ela me recomendou despretensiosamente, uma gracinha, eu fiz questão
de ler.
Aí é que eu não consigo explicar. O
livro é legal e eu li por ela, pra até poder dizer que é legal e seguir
conversando à distância na medida em que a rotina não massacre esta lembrança.
Mas eu entendi a coisa do amor que dura além do momento, o interesse espontâneo
em desvendar o outro conhecer, sem pressão, sem precisar dizer.
Não sei em que estágio eu tô nos
rankings das revistas Capricho ou Claudia, mas sinto que aprendia alguma coisa
que vai me ajudar na vida.Vai se acoplar aos embalo das
lembranças de minhas sweethearts pra me ajudar a dormir. Interessante essa
maneira mais introspectiva de amar.
Obrigado pela inspiração, Natasha!
Beijos.