quarta-feira, 5 de outubro de 2011

2001







Mancos estes tempos que tenho vivido e arrastados os momentos
quando não manco me arrasto de muletas...


Certo, nestes tempos, acomodado em casa com todo o carinho de maman et papa, tenho tempo sobrando, seja ele arrastado ou manco, e estou aproveitando ele pra "correr atrás da vida" (literalmente, claro) e fazer as coisas que gosto. Assim, andei lendo umas coisas legais, fiz um remember do meu costume de ler quadrinhos e tenho visto filmes. EEEEENTRE estes filmes que tenho visto, coube espaço para os clássicos que ainda não tinha visto e este post foi motivado pelo comentário sobre "2001 - uma odisséia no espaço", que, mermão, é mesmo um clássico. Clássico, pra este reles pescoço vermelho do sul do Brasil, não é aquele filme/obra artística que é indispensável à ostentação e à pedância e sim um filme/obra legal e capaz de despertar em seu espectador questionamentos, inquietações e curiosidades a partir da sua perspectiva específica.


Chegando finalmente ao comentário sobre "2001": ele vem de uma queixa de um grande amigo sobre o final do filme. Já disse que gostei do filme e a sequência final passa uma mensagem muito estimulante à humanidade. Entendi o filme como uma metáfora do processo evolutivo do homem desde o tempo de primata até a conquista do espaço. A meu ver esta metáfora que propulsiona a evolução é o pensamento, no filme é representado por aquele monolito negro sinistro. A montagem do filme é muito doida.


Enumerando, pra não me perder:


1. Na parte chamada “A aurora do homem”, os macacos, entendidos como precursores da mulher e do homem, aprendem a usar extensões do corpo (ossos) como vantagem estratégica para garantir seu território e fonte de água e conseguir mais caça tudo isso depois de receberem um estímulo da coisa preta, o monolito;

2. tem-se a representação da evolução do homem a partir daquele momento em uma das cenas mais famosas do cinema onde primata lança o osso e seu formato caindo e girando se confunde com o de uma estrutura no espaço, representando o progresso de lá até aqui. O especialista que chega à estação espacial está lá para investigar um monolito parecido, enterrado na lua, na missão deles este monolito manda um sinal de rádio ensurdecedor para JÚPITER;

3. 18 meses depois viajamos com uma expedição a Júpiter atrás do sinal emitido. Nisso testemunha-se uma trama entre os dois astronautas acordados (pois outros três hibernam) e o computador HAL 9000. A sequência é importante para o filme, pois mostra o homem saudável e de prontidão para resolver seus problemas e correr atrás de seus objetivos, Hal representa a técnica a serviço deste homem moderno de 2001 que se imaginava em 1968. A técnica se clama por infalível e não acredita que cometa erros. Hal erra, se de propósito ou não fica a critério de quem vê o filme. Após matar os tripulantes adormecidos (olha só o símbolo!), jogar um dos caras no cosmos e de ter impedido que o outro após resgatar seu amigo retornasse, Hal é desativado. A técnica que mata o homem, visa controlá-lo a despeito da imoralidade e irracionalidade da situação cai;

4. A parte final do filme se chama “Júpiter, o Infinito e Além” e retrata este último sobrevivente chegando a seu destino em uma cápsula, lá ele e o espectador são arrebatados por uma sequência de imagens hiper-ultra-coloridas do cosmos e do que se pode chamar geografia de Júpiter (eu associei a explosão de cores e formatos ao fato de Júpiter ser entendido como um planeta gasoso e sem atmosfera, sujeito a várias reações). O homem quase morre quando contempla este espetáculo – a meu ver isso representa uma vastidão de coisas e conteúdos ainda a serem vistos. 4.1. Assim chega-se à cena final o homem depois de passar por uma espiral de cores fantásticas se encontra em um aposento bem decorado e não entende nada (nem quem vê). O homem se vê ali na cápsula, sem a cápsula e depois só, com seu reflexo no espelho. Em seguida, sem a menor explicação ele encontra um outro homem já velho de costas fazendo a sua ceia. O homem ceando olha para o astronauta que o olhava e, de repente, se nota que o velho era o astronauta. (o homem lembra-se de como chegou até aquele ponto). O destaque da cena é o aposento bem decorado, a comida despertando o apetite, detalhes ricos.
Subitamente esse velho some e se torna um ancião à beira da morte. Quem vem para visitá-lo nesse momento? O MONOLITO (!!!) e ele aponta para este diacho, como alguém que pede forças. A cena final é a de um novo homem transformado por esse contato com o monólito, representado por um feto. Este feto se volta para a Terra e se fascina com ela (com aquela música retumbando ao fundo).

Talvez alguém pense que este feto que alude à idéia de homem evoluído seja um ET. Eu já acho que aquele novo homem recebe mais um lampejo de habilidade, sorte e competência para seguir seu caminho no cosmos e também a orientação de voltar-se para a Terra para seguir seu caminho. Ainda tem o detalhe de que no primeiro estímulo do monólito o homem vivia em bandos e no segundo morre sozinho.

Muita gente já tratou disso, inclusive o Drummond que diz:
O homem funde a cuca se não for a Júpiter...
... Restam outros sistemas fora do solar a colonizar.
Ao acabarem todos
Só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de conviver.

Este lindo chamado ao homem novo feito por Kubrick (mestre do cinema) e Clarke (mestre do espaço) se encaixa no contexto da Guerra Fria, na tensão de vários conflitos e em meio à insurgência do jovem homem a partir de 1968 (ano do filme). Tá bem, o filme é um clássico e eu queria tê-lo visto antes, mas ao longo da vida e em outras obras e atitudes de pessoas pode-se notar o chamado do homem para olhar para si. É um chamado que se manifesta de diversas lindas maneiras e cabe a nós – ao homem e à mulher – percebê-lo e aproveitá-lo, evitando o crepúsculo da humanidade.

Abraço aos terráqueos,

(depois de muito tempo)

Thiago.

terça-feira, 29 de março de 2011

Libya and the World Left - “Wanting to be free yourself means wanting that others be free.”

By Immanuel Wallerstein Commentary No. 301, Mar. 15, 2011 There is so much hypocrisy and so much confused analysis about what is going on in Libya that one hardly knows where to begin. The most neglected aspect of the situation is the deep division in the world left. Several left Latin American states, and most notably Venezuela, are fulsome in their support of Colonel Qaddafi. But the spokespersons of the world left in the Middle East, Asia, Africa, Europe, and indeed North America, decidedly don’t agree.


Hugo Chavez’s analysis seems to focus primarily, indeed exclusively, on the fact that the United States and western Europe have been issuing threats and condemnations of the Qaddafi regime. Qaddafi, Chavez, and some others insist that the western world wishes to invade Libya and “steal” Libya’s oil. The whole analysis misses entirely what has been happening, and reflects badly on Chavez’s judgment – and indeed on his reputation with the rest of the world left.


First of all, for the last decade and up to a few weeks ago, Qaddafi had nothing but good press in the western world. He was trying in every way to prove that he was in no way a supporter of “terrorism” and wished only to be fully integrated into the geopolitical and world-economic mainstream. Libya and the western world have been entering into one profitable arrangement after another. It is hard for me to see Qaddafi as a hero of the world anti-imperialist movement, at least in the last decade.


The second point missed by Hugo Chavez’s analysis is that there is not going to be any significant military involvement of the western world in Libya. The public statements are all huff and puff, designed to impress local opinion at home. There will be no Security Council resolution because Russia and China won’t go along. There will be no NATO resolution because Germany and some others won’t go along. Even Sarkozy’s militant anti-Qaddafi stance is meeting resistance within France.


And above all, the opposition in the United States to military action is coming both from the public and more importantly from the military. The Secretary of Defense, Robert Gates, and the chairman of the Joint Chiefs of Staff, Adm. Mullen, have very publicly stated their opposition to instituting a no-fly zone. Indeed, Secretary Gates went further. On Feb. 25, he addressed the cadets at West Point, saying to them: “In my opinion, any future defense secretary who advises the president again to send a big American land army into Asia or the Middle East or Africa should have his head examined.”


To underline this view of the military, retired General Wesley Clark, the former commander of NATO forces, wrote an op-ed for the Washington Post on Mar. 11, under the heading, “Libya doesn’t meet the test for U.S. military action.” So, despite the call of the hawks for U.S. involvement, President Obama will resist.


The issue therefore is not Western military intervention or not. The issue is the consequence of Qaddafi’s attempt to suppress all opposition in the most brutal fashion for the second Arab revolt. Libya is in turmoil because of the successful uprisings in Tunisia and Egypt. And if there is any conspiracy, it is one between Qaddafi and the West to slow down, even quash, the Arab revolt. To the extent that Qaddafi succeeds, he sends a message to all the other threatened despots of the region that harsh repression rather than concessions is the way to go.


This is what the left in the rest of the world sees, if some left governments in Latin America do not. As Samir Amin points out in his analysis of the Egyptian uprising, there were four distinct components among the protestors – the youth, the radical left, middle-class democrats, and Islamists. The radical left is composed of suppressed left parties and revitalized trade-union movements. There is no doubt a much, much smaller radical left in Libya, and a much weaker army (because of Qaddafi’s deliberate policy). The outcome there is therefore very uncertain.


The assembled leaders of the Arab League may condemn Qaddafi publicly, but many, even most, may be applauding him privately – and copying from him.


It might be useful to end with two pieces of testimony from the world left. Helena Sheeham, an Irish Marxist activist, well-known in Africa for her solidarity work there with the most radical movements, was invited by the Qaddafi regime to come to Libya to lecture at the university. She arrived as turmoil broke out. The lectures at the university were cancelled, and she was finally simply abandoned by her hosts, and had to make her way out by herself. She wrote a daily diary in which, on the last day, Mar. 8, she wrote: “Any ambivalence about that regime, gone, gone, gone. It is brutal, corrupt, deceitful, delusional.”


We might also see the statement of South Africa’s major trade-union federation and voice of the left, COSATU. After praising the social achievements of the Libyan regime, COSATU said: “COSATU does not accept however that these achievements in any way excuse the slaughter of those protesting against the oppressive dictatorship of Colonel Gaddafi and reaffirms its support for democracy and human rights in Libya and throughout the continent.”


Let us keep our eye on the ball. The key struggle worldwide right now is the second Arab revolt. It will be hard enough to obtain a truly radical outcome in this struggle. Qaddafi is a major obstacle for the Arab, and indeed the world, left. Perhaps we should all remember Simone de Beauvoir’s maxim: “Wanting to be free yourself means wanting that others be free.”

O homem está vivo! Para acompanhar: http://www.iwallerstein.com/


Thiago.

terça-feira, 22 de março de 2011

NOVOS DIAS.

dE sÉRGIO vAZ

:

“Este ano vai ser pior…
Pior para quem estiver no nosso caminho.”
Então que venham os dias.
Um sorriso no rosto e os punhos cerrados que a luta não para.
Um brilho nos olhos que é para rastrear os inimigos (mesmo com medo, enfrente-os!).
É necessário o coração em chamas para manter os sonhos aquecidos.
Acenda fogueiras.
Não aceite nada de graça, nada. Até o beijo só é bom quando conquistado.
Escreva poemas, mas se te insultarem, recite palavrões.
Cuidado, o acaso é traiçoeiro e o tempo é cruel, tome as rédeas do teu próprio destino.
Outra coisa, pior que a arrogância é a falsa humildade.
As pessoas boazinhas também são perigosas, sugam energia e não dão nada em troca.
Fique esperto, amar o próximo não é abandonar a si mesmo.
Para alcançar utopias é preciso enfrentar a realidade.
Quer saber quem são os outros? Pergunte quem é você.
Se não ama a tua causa, não alimente o ódio.
Por favor, gentileza gera gentileza. Obrigado!
Os Erros são teus, assuma-os. Os Acertos Também, divida-os.
Ser forte não é apanhar todo dia, nem bater de vez em quando, é perdoar e pedir perdão, sempre.
Tenho más notícias: quando o bicho pegar, você vai estar sozinho.
Não cultive multidões.
Qual a tua verdade ? Qual a tua mentira? Teu travesseiro vai te dizer.
Prepare-se!
Se quiser realmente saber se está bonito ou bonita, pergunte aos teus inimigos, nesta hora eles serão honestos.
Quando estiver fazendo planos, não esqueça de avisar aos teus pés, são eles que caminham.
Se vai pular sete ondinhas, recomendo que mergulhe de cabeça.
Muito amor, muito amor, mas raiva é fundamental.
Quando não tiver palavras belas, improvise. Diga a verdade.
As Manhãs de sol são lindas, mas é preciso trabalhar também nos dias de chuva.
Abra os braços. Segure na mão de quem está na frente e puxe a mão de quem estiver atrás.
Não confunda briga com luta. Briga tem hora para acabar, a luta é para uma vida inteira.
O Ano novo tem cara de gente boa, mas não acredite nele. Acredite em você.
Feliz todo dia!

na primeira à esquerda, a Caros amigos (hahaha!)

Thiago.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

E o Brasil?

Com esperança (me enviam)

Vídeo sobre impacto de Belo Monte:
http://www.youtube.com/watch?v=4k0X1bHjf3E

http://www.avaaz.org/po/pare_belo_monte/97.php

Abelardo Bayama Azevedo, que renunciou à Presidência do IBAMA, não é a primeira renúncia causada pela pressão para construir Belo Monte. Seu antecessor, Roberto Messias, também renunciou pelo mesmo motivo ano passado, e a própria Marina Silva também renunciou ao Ministério do Meio Ambiente por desafiar Belo Monte.

A Eletronorte, empresa que mais irá lucrar com Belo Monte, está demandando que o IBAMA libere a licença ambiental para começar as obras mesmo com o projeto apresentando graves irregularidades. Porém, em uma democracia, os interesses financeiros não podem passar por cima das proteções ambientais legais – ao menos não sem comprarem uma briga.

A hidrelétrica iria inundar 100.000 hectares da floresta, impactar centenas de quilômetros do Rio Xingu e expulsar mais de 40.000 pessoas, incluindo comunidades indígenas de várias etnias que dependem do Xingu para sua sobrevivência. O projeto de R$30 bilhões é tão economicamente arriscado que o g overno precisou usar fundos de pensão e financiamento
público para pagar a maior parte do investimento. Apesar de ser a terceira maior hidrelétrica do mundo, ela seria a menos produtiva, gerando apenas 10% da sua capacidade no período da seca, de julho a outubro.

Os defensores da barragem justificam o projeto dizendo que ele irá suprir as demandas de energia do Brasil. Porém, uma fonte de energia muito maior, mais ecológica e barata está disponível: a eficiência energética. Um estudo do WWF demonstra que somente a eficiência poderia economizar o equivalente a 14 Belo Montes até 2020. Todos se beneficiariam de um planejamento genuinamente verde, ao invés de poucas empresas e empreiteiras. Porém, são as empreiteiras que contratam lobistas e tem força política – a não ser claro, que um número
suficiente de nós da sociedade, nos dispormos a erguer nossas vozes e nos mobilizar.

A construção de Belo Monte pode começar ainda em fevereiro.O Mini stro das Minas e Energia, Edson Lobão, diz que a próxima licença será aprovada em breve, portanto temos pouco tempo para parar Belo Monte antes que as escavadeiras comecem a trabalhar. Vamos desafiar a Dilma no seu primeiro mês na presidência, com um chamado ensurdecedor para ela fazer
a coisa certa: parar Belo Monte, assine agora:

http://www.avaaz.org/po/pare_belo_monte/97.php

Acreditamos em um Brasil do futuro, que trará progresso nas negociações climáticas e que irá unir países do norte e do sul, se tornando um mediador de bom senso e esperança na política global. Agora, esta esperança será depositada na Presidente Dilma. Vamos desafiá-la a rejeitar Belo Monte e buscar um caminho melhor. Nós a convidamos a honrar esta oportunidade, criando um futuro para todos nos, desde as tribos do Xingu às crianças dos centros urbanos, o qual todos nós podemos ter orgulho.

Fontes:

Belo Monte derruba presidente do Ibama:
http://colunas.epoca.globo.com/politico/2011/01/12/belo-monte-derruba-presidente-do-ibama/

Belo Monte será hidrelétrica menos produtiva e mais cara, dizem técnicos:
http://g1.globo.com/economia-e-negocios/noticia/2010/04/belo-monte-sera-hidreletrica-menos-produtiva-e-mais-cara-dizem-tecnicos.html


Uma discussão para nos iluminar:
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101224/not_imp657702,0.php


A isto contraponho duas citações, trazidas a mim por dois amigos. A primeira, de Marx, que chegou a mim por meio do Professor Renato Carneiro:
"A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa” (Será esta apenas a segunda? O vale do Rio Doce, a Transamazônica, o Contestado, Grande Carajás, o São Francisco sendo transposto, a Serra do Navio, Madeira e Belo Monte agora, sacrificar o quê mais em nome da "estruturação produtiva" deste país????????)
A segunda, de Machado de Assis, quando entrevistado pela imaginação de Rubem Braga.
O velho Braga lhe pergunta:
E o Brasil?
"O país real, esse é bom, revela os melhores instintos; mas, o país oficial, esse é caricato e burlesco".

A negociação se dará em favor do empreendimento, APOSTO!

E o que pode um bunda mole como eu fazer?

Um bom começo é botar fé nessa petição.

Thiago.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

De como e com quem vi alvorecer o novo ano:

Por um de meus novos amigos, o real Ivan.
Suas palavras descrevem um inusitado encontro ao alvorecer de 2011.

:

http://vireoverso.wordpress.com/2011/01/01/sobre-o-nascer-do-sol-um-violao-e-o-encontro-subito/


Sobre o nascer do sol, um violão e o encontro súbito
01/01/2011 at 7:33 PM (Vire)


Cinco da manhã, amanhecendo na praia, no primeiro dia do ano. Tanta loucura desde o início da caminhada que nem ousarei explicar demais. Os sentimentos quando intercalados tornam-se tão confusos que embassam o pensamento ao tentarmos colocá-los em palavras.

E foi assim que me senti nesta virada do ano: intercalando sentimentos, junto a inúmeras pessoas que nem sequer sei o nome. Umas trinta personalidades diferentes talvez, ali, no meio da rua, vangloriando sensações a pessoas de quem nunca ouviram falar antes. Trinta das que tive contato direto, sem esquecer das outras tantas que passavam e te abraçavam, desejando “Feliz Ano Novo” como velhos amigos de infância. Tão natural que, por vezes, até esquecia que eram desconhecidos.

Depois de caminhar à deriva pelas ruas de Santos, encontrar amigos “reais”, abraçar amigos “não reais” e fazer parte de diferentes grupos de pessoas – com destaque para o grupo do qual fiz parte durante boa parte da noite, que andava com um carrinho de supermercado nas ruas, de onde tiravam dele bebidas, empadinhas e até lichia! -, resolvemos dar às boas vindas ao novo ano contemplando o nascer do Sol. O que não esperávamos é que estas boas vindas nos traria uma personalidade ímpar.

Às cinco da manhã, encantados com o céu roxo que se formada como plano de fundo das fotos tiradas, surge uma personalidade tímida, pedindo por acolhimento: “Olá, desculpa me intrometer assim, mas é que vi vocês com o violão aqui e me deu uma vontade de tocar. Posso?”. MAS É CLARO, pensaram todos. Afinal, há horas que caminhávamos com aquele violão entre os braços tentando achar alguém que acertasse o repertório. Daremos a chance a mais um “amigo não real” então, porquê não?

Chance dada, rodinha formada, claridade gritando no céu. Entre as músicas, The Strokes, Beatles, Jack Johnson, Nando Reis e algumas outras canções, só entendidas pelo dono do repertório, enquanto admirávamos o mais novo amigo, vindo direto de Paraná para as areias de Santos nos ajudar a dar boas vindas à 2011.

“Qual seu nome”?, pergunta Thiago Oliveira, apelidado de Paraná por nós, depois de mostrar uma de suas criações musicais. “Marcela”, responde a garota. E num susto, ele retruca “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis (…)“. Machado de Assis, em Brás Cubas. Pena que tanta cultura estava sendo exposta na manhã de um ano novo repleto de coisas inexplicáveis. Com excessão do jornalista e da professora de português apaixonados pelas palavras, o restante não reagiu à altura de sua declaração tão carregada de cultura. Um talento, achado às cinco da manhã, do primeiro dia do ano. Ainda bem!

Algumas outras músicas – entre elas a apresentação de mais duas do repertório pessoal do artista – e outras perguntas e respostas que nos fizessem desvendar melhor aquele amigo “não real” que já queríamos torná-lo real a qualquer custo. Uma única foto para registrar, troca de nomes para a busca em redes sociais.

Era para ser uma virada como outra qualquer, vendo os fogos, bebendo o champagne comprado em promoção, vestidos em roupas brancas e em cores na tentativa de trazer coisas boas em superstições. Acabou virando um encontro. Se estava firmada a amizade entre aquele grupo de pessoas desconhecidas eu não sei. Mas somente aquele momento já nos serviu para mostrar que a vida te surpreende e te apresenta a outras vidas quando você está disposto a recebê-las.

“As coisas valem pelas ideias que nos sugerem”, diria Machado de Assis. E que bom que nos permitimos a troca de ideias. Todas as pessoas que conhecemos hoje, já foram “não reais” pra gente. Que com esse aprendizado possamos trazer mais pessoas “não reais” à nossa realidade, e tirar bom proveito desta troca.

Todos temos histórias para contar. Permitamo-nos então a junção dos roteiros.

[este vídeo "complementava" o comentário --> http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=VbZmOKWFXvI hahahahahahahahahahahahahahaha!]


Ivan e outros novos compadres e comadres (também as cumadis e cumpadis de sempre!), haverão (espero) outras ocasiões para fazer valer este encontro, em que criamos novos laços. Foi algo "real", uma evidência de anos que não passam apenas, mas [mesmo que simbolicamente], fazem renascer qualquer coisa dentro de nós.


Qualquer coisa que não sei bem definir: uma nova chama que se acende, mais ânimo para suportar a árdua batalha de um novo ano ou um golpe na hesitação [no medo!] em entrecruzar o olhar e trocar um dedo de prosa com outros? Não sei, mas alguma coisa.


Força pra nós todos neste ano, minha gente!


Um abraço forte àqueles que cruzaram comigo na virada, em um brinde, em uma conversa, em um desejo, em um pensamento solto... [àquelas um beijão rs]

Thiago.