terça-feira, 16 de setembro de 2014

Johnny e Jimmy conversando...

...sobre confusão ao tentar interpretar o desempenho dos últimos governos brasileiros a partir da crítica feita de modo geral pela oposição, tanto através da mídia quanto nas conversas cotidianas online ou não. Os dois rapazes chegam a se constranger por suas visões de mundo conflitam com o catastrofismo inflacionário, sem no entanto perder a eterna pulga atrás da orelha quanto à dívida pública que sempre esteve por aí. São mencionadas a superestrutura, é relançada a dúvida cruel sobre o que é o esclarecimento e até mesmo ocorre uma aleatória retomada da influencia dos tambores africanos na música brasileira, à qual um terceiro cidadão de bem (eleitor mediano) demonstrou certo receio. 

(via messenger)


 Johnny:  Capitão , preciso de uma luz. Vc que está acompanhando mais política e economia , me diga , o Brasil está à beira de um desastre?
Johnny: Fiquei escutando isso o dia inteiro.
  Jimmy: Cara, a gente discutiu isso bem
  Jimmy: Ao passo que a dívida pública continua nas canelas e, como sempre, dificultando nossa 'caminhada'
   Jimmy: O governo possui recursos pra investir em vários projetos interessantes para diminuir nossa dependência
  Jimmy: 100 milhões pra nova frota de navios, programa espacial, renovação da infra-estrutura logística, seguros de safra, banco dos brics...
  Jimmy: Fora as bolsas
  Jimmy: Essa grana não vem do ar
  Jimmy: Então temos solvência fiscal
  Jimmy: O que pega é a inflação
  Jimmy: A demanda por gasolina por exemplo é a maior de todos os tempos
  Jimmy: Todos tem carro ou moto
  Jimmy: E se sente que o poder de compra vai diminuindo
  Jimmy: O governo tem recursos e qualquer partido que ganhe vai ter que se voltar para sustentabilidade do consumo interno
  Jimmy: E isso envolve gasto com estradas, regulamentaçao de mercados (imobiliário, combustível, contratos de transporte)
  Jimmy: Coisas que só começam a trazer retorno a médio prazo
  Jimmy: Digamos ali por 2018
   Jimmy: E com um dólar mais caro para viabilizar a exportação e diminuir pressões externas (acho que ainda seremos a puta do maior juro real do planeta por muito tempo)
  Jimmy: Mas tem coisa legal sendo feita, com erros,.com escândalos ocasionais que ocorrem desde o império envolvendo pessoal de vários partidos
  Jimmy: Mas tá rolando
  Jimmy: Acho que insistência na inflação reclamações genéricas de que o PT cagou  no Brasil é crítica fácil de ser feita por uma oposição corcunda e ressentida
Johnny: Tive que ficar escutando que : "seria ótimo a Dilma ganhar , porque toda a merda que o PT fez na economia vai estourar na cara do governo que fez as cagadas e não seriam mais eleitos"
  Jimmy: E influencia os recalques dos coxinhas que reclamam por bolsa iPad
Johnny: De tanto escutar eu estourei uma hora
  Jimmy: Quem falou?
Johnny: E fiquei me perguntando se não estaria cego e me tornando um fanático pelo governo.
  Jimmy: É claro
Johnny: A mina do alemão , eles ficaram lá em casa desde sexta
  Jimmy: Eu também me sinto assim
  Jimmy: Acompanha o site da luciana genro
Johnny: O pior , eles recebem bolsa do governo para estudar e fazer iniciação científica. E não é pouca , apesar de não ser um fortuna
  Jimmy: Ela toca em assuntos como revisão da dívida y otras cositas associadas ao “comunismo”
   Jimmy: Enche o saco
  Jimmy: Eu canso de falar
Johnny: Dai quando você fala : " você vai votar em um programa político (aecio ) que não acredita nesse tipo de ajuda , pior, acha um equívoco esse trabalho , você vai votar contra você e contra o governo que possibilita que você somente estude se quiser"
  Jimmy: O mais fácil é reclamar
Johnny: A pessoa acha ruim e não acredita.
Johnny: Não sei o que eles acham que será o corte no orçamento.
Johnny: E o superávit primário
  Jimmy: O pessoal não testemunha seu destino com base na consideração dos programas de governo do passado, mas no que a oposição fala
Johnny: Falam em impostos altos , como se o governo FHC não tivesse impostos absurdos.
  Jimmy: mais uma vez o marx tá aí, cara
  Jimmy: A superestrutura remolda a história e faz um cobrador de ônibus ser reaça
Johnny: Pois é cara.
Johnny: Estou desiludido
Johnny: Posso falar , essa semana , minha vontade de ficar lutando contra esses argumentos foi toda embora.
  Jimmy: Eu acho uma merda ficar jogando gloria em superávit primário, refém do capital externo
Johnny: Consigo entender um cara com grana falar que apóia esses programas
Johnny: Afinal , os direitos sociais não o interessam
  Jimmy: E outra coisa
  Jimmy: A gente sabe disso
  Jimmy: Tem esse discernimento por.causa de um curso legal como o nosso
  Jimmy: Nem todos estão muito aí pra coisa
Johnny: Somente o aumento da taxa de juros ( para os investimentos tornarem-se mais rentáveis ) e que seja mais acessíveis os bens e luxo simultaneamente ( não importante se o pobre irá pagar o preço através da desigualdade)
  Jimmy: E o mais fácil é a crítica pela crítica
  Jimmy: Tava falando de música com um amigo
  Jimmy: O cara gosta de sertanejo
  Jimmy: Aí eu disse que remanesce, mesmo nesse tipo de música, a influência da áfrica
Johnny: Mas o que mais vejo , é o cara que o governo ajudou e ajuda criticando as mesmas políticas que o ajudaram ( que não são para nós ). E brigando com você , que em ultima análise , tá defendendo o direito desse cara ajudado pelo governo.
  Jimmy: Brasileiro sempre quer música que lembra a batida dos tambores da senzala
  Jimmy: O cara não gostou muito da referência kkk
  Jimmy: Renatao já nos dizia:
Johnny: Pensei : "que se foda! Se o cara é burro para entender que isso é para ele e não para mim , e me vê como opositor por isso , vou votar no que vai ser melhor para mim mesmo e ele que se foda"
  Jimmy: empresário brasileiro quer um capitalismo sem riscos
Johnny: Sim.
Johnny: Mas do empresário você entende.
  Jimmy: Mama na teta
  Jimmy: Tem receio da competitividade
Johnny: Agora , do cara que vai ser a bucha de canhão pro empresário defendendo isso eu fico de cara.
  Jimmy: E ainda reclama
  Jimmy: Esta oposição está menopausica
  Jimmy: Cara, a galera tá com grana pra comer o feijão
  Jimmy: Se eles compram tv 50'' HD fica a critério deles
Johnny: Pois é
Johnny: Abrindo negócios
Johnny: Tendo emprego
Johnny: Inflação controlada.
Johnny: Caiu de volta em julho
  Jimmy: Essa crítica da oposição cai por terra se a gente nota que interferir em como se gasta o dinheiro do bolso é quase totalitário
  Jimmy: O problema é inovação
  Jimmy: Achou um hacker, invadiu o sisbacen, contrata o cara porra
  Jimmy: Paga caro e sustenta projetos inovadores
  Jimmy: Vai dar lucro depois
Johnny: Outra coisa , essa critica , que entende que a inflação precisa ser controlada a todo custo através de taxa de juros alto , mostra só que por meio dessa política , em ultima análise , é somente uma transferência de renda do pobre para o rico.
  Jimmy: É a mentalidade dos grandes exemplos de Japão e alemanha
  Jimmy: Na verdade fica a eterna pergunta que fazíamos ao grande Charlie
  Jimmy: Se a gente tá tão fudido, como se consegue gastar tanto?
  Jimmy: E já são 12 anos de muito gasto
  Jimmy: O que demonstra uma resiliência da economia
  Jimmy: Acredito que esse é um dos mistérios da fé
Johnny: O pior é que criticam a polícia economia , sempre batendo na tecla do menos gasto
  Jimmy: Kkk
Johnny: E ninguém fala , que as políticas restritivas na zona do euro , estão levando eles a estagnação econômica , desigualdade social e , em ultima consequência , a volta da xenofobia e o fim da Europa integrada.
Johnny: Eles tem a estimativa de crescimento de 0, 8 % esse ano.
  Jimmy: São os eternos boca aberta
Johnny: Os países que se recupera da crise é justamente o que subsidiou a economia até agora
  Jimmy: Vamos ter que pagar pelo crescimento
Johnny: Os EUA
Johnny: Com taxa de juros lá embaixo.
Johnny: E injeção de direito as empresas.
  Jimmy: e o cidadão vai ter que cair no século XXI
  Jimmy: Mas a batalha pela autonomia do pensar é antiga, mano
  Jimmy: Vou te passar um link de um texto de uma 7 páginas do Kant
Johnny: Pois é
Johnny: Dinheiro *
Johnny: Não direito
Johnny: Valeu.
  Jimmy: http://www.google.com.br/url?sa=t&source=web&cd=6&ved=0CCsQFjAF&url=http%3A%2F%2Fwww.primeirafilosofia.com.br%2Fprimeirafilosofia%2FTextos%2FTextos%2520de%2520%25C3%2589tica%2FKant%2FEtica%2520e%2520esclarecimento.pdf&ei=rFAXVPqSB5CONtjCgcgM&usg=AFQjCNGMu1ZScDm9N41gEm-U0-2FdYJkYQ
Johnny: Cara , fiquei tão abatido com isso que até conversei com o Charlie The Man hoje sobre isso
  Jimmy: Naquele tempo a luta era contra a onipresença da moral cristã
  Jimmy: Hj é contra a moral da oposição
  Jimmy: E ele?
Johnny: Deu esse mesmo panorama.
Johnny: Vai anular o voto
Johnny: Mas disse o que a gente pensa
Johnny: A crítica ao PT é algo como um dogma religioso , pode não ter fundamento , mas precisa ser aceita como verdade , mesmo não sendo.
Johnny: É fruto de preconceito e desinformação
Johnny: E você rebater ela , como rebater um dogma , gera revolta. Não importando se fosse está falando a verdade ou não.
  Jimmy: Leia o parágrafo da primeira página do texto que te enviei
  Jimmy: Começa com
  Jimmy: Preguiça e covardia
  Jimmy: Enviei no email
Johnny: Sobre economia : ele disse,  que a situação não é da melhores , por causa do deficit , mas que dinheiro não falta no mundo para resolver os problemas que estrangulam nosso desenvolvimento.
Johnny: Vou ler assim que chegar em casa.
Johnny: E o mundo nunca precisou tanto da gente para voltar a girar
Johnny: Principalmente Europa
  Jimmy: Vai se identificar
  Jimmy: Nos temos algumas das últimas fronteiras para o capitalismo crescer
  Jimmy: Nos e a áfrica
  Jimmy: Acho que muita coisa vai tomar forma nos próximos 50 anos
  Jimmy: Para o bem ou para o mal

  Jimmy: Vou nessa, velho

Sem mais.

Thiago.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

While falling or rising again:

Tudo bem, querido
Dalton Trevisan

Ah, é? Você me liga: Oi, tudo bem? Estou terminando. Entre nós, sim, tudo acabou. Lindo enquanto durou. Agora acabado. Para sempre. Espero que sejamos amigos. Que história é essa, cara? Acabou, pô nunhuma. Um longo ano de paixão e loucura, de repente, oi, tudo bem, o fim de tudo?

Pra mim nada acabou, ô louca. Só do teu pouco juízo para ser tão cruel. Ingrata e desgracida. Oco no peito, ninho de peludas viúvas-negaras. Ainda ontem nua e perdida nos meus braços, o teu grande, etern, único amor. E hoje: Oi, querido, tudo acabou.  Corta essa, cara. Dó não sabe o que é? Em ´perdão nunca ouviu falar? Nem aviso nem nada – é o fim tudo acabou­ –, o coração esfolado vivo com navalha sem fio. O amor doido de um ano não se acaba com um tiro na nuca.

Na hora fui machão. “Tudo bem, se é o que você quer. Claro, ainda amigos, seja feliz.” Assim que você desliga, mãezinha do céu, o olho cegou, a língua enrolou, a perna falhou, o meu nome esqueci. Quer tudo bem, que nada. Pô nenhuma. Aqui estou plantado de quatro, ganindo para a lua vermelha dos amantes desprezados. Nada acabou, meu amor que era grande ficou maior, transborda do meu peito, sai pela janela, explode a cidade em sardas ardentes, uivos de dor, borboletas amarelas.

Durão, sim, às duas de uma tarde de sol. Nunquinha que àstrês da noite escura na alma, eu, a última das baratas leprosas. Agora agonizante na velha cama, o colchão furadinho de agulhas de gelo, o travesseiro de penas e brasas vivas. Única imagem: você perdida e nua nos meus braços. Única idéia: nua e perdida você nos braços de outro. Atropelo uma prece entre berros do ódio que espuma. E o maçldito pernilongo da insônia, oi, querido, tudo bem?  Me enfiando a faca no coração ainda me chama de querido. No peito, não, revolve a ponta fininha nas costas, assim dói mais.

Tudo bem, uma merda. Tudo mal, nunca esteve pior, desde a hora do famoso recado. Assim acaba o amor jurado de um ano inteirinho? De um telefone público, entre zumbidos e vozes, desculpa, querido, não posso falar, tem gente esperando. Nem a consideração do falso olho azul na cara. E se caio duro e mortinho, ao ouvir a sentença de morte? Te dispensava assistir à execução, o tiro de misericórdia na nuca. Misericórdia, pô nenhuma. Sabe lá o que é, cara?

Egoísta e pérfida, só uma bandida capaz de oi, tudo bem (e, no mesmo fôlego, decerto sorrindo o tempo inteiro), tudo acabou, querido, é o fim, não me procure mais, se me vir na rua (nos braços de outro?) finja nunca me conheceu, assim a gente não sofre. Não sofre, a gente, pô? Fale por você, sua cadela. E a mão suada e fria? A língua no sal? O vidro moído nas entranhas? a tremedeira no pé torto? Aqui estava numa boa, de repente o bruto murro na cara, espirra olho, sangue do nariz, caco de dente – e tudo bem, vinagre e fel, a broinha de cinza fria? Dá um tempo, ô cara. Isso não se faz. Não é assim que um amor acaba. Com o tiro na nuca, a volta do parafuso nas costas, o soco na cara.

Machão, eu? O mais reles dos ratos piolhentos do amor. Sem honra nem palavra, por mim não respondo, todo me ofereço à vergonha e humilhação. Lembra da aranha Você cortou com a tesoura as oito patas – cada uma ainda quis andar sozinha... E se distraiu a vê-la desfiar do ventre o recheio verde. Essa aranha roxa, ali no piso branco sou eu. Mudo me retorcendo de tanta dor. Deliciada, eu sem braço nem perna, debaixo do teu sapatinho prateado? O meu desespero goze à vontade. Tudo menos oi, querido, acabou o nosso caso.

Pô que acabou. E eu. Ô cara? Sem você, o que será de mim, já pensou Não tem peninha? Eu morro, sua puta. Por você eu grito três dias sem parar. Me dá um tempo. Qual é a tua, cara? Como pode, até ontem me amava e hoje tudo acabado? E os teus bilhetes de juras eternas, as letras borradas de fingidas lágrimas? A isso chama de amor? Me beija na boca e no mesmo suspiro me acerta o ferrão de fogo. Tudo eu aceito, só não me deixe. Aqui na maior desgraça, não ouve meu soluço e rasgar de dentes? Me dá um tempo, cara. Um mês, uma semana, um diazinho só.

Já não me quer? Tudo bem. Basta que eu te olhe, nem chego perto, do outro lado da mesa. Cafetina de corações solitários. Ó estripadora de alminhas líricas. Vendo o teu desprezo pode que ganhe coragem e força. Com as mãos arranco o próprio coração pelas costas.

Meus ossos já se desmancham, deixo cair o garfo e a xícara, puxo da perna esquerda. Me repito, eu? Pudera, no ouvido esse bando de de baitacas gritando sangue, me acuda, inferno, eu morro. Dá um tempo, cara. Não assim, não para sempre: o fim do mundo às duas e quinze da tarde. Em vez da trombeta e a explosão, uma voz alegre no telefone público. Tudo bem, sinto muito, desculpa e obrigadinha.


Sente muito, você, a maior das assassinas. Tudo bem, pô nenhuma. Não tem obrigadinha. Não tem desculpa. Quero você inteirinha de volta. Orgulho já não tenho. Merda para o orgulho. A paz dos cabelos brancos até essa me deixou. Entre você e o amor-próprio, escolho você, prefiro a abjeção. Só peço último encontro, duas palavrinhas. Por você eu morro todo dia. Pelo teu amor sou morto cada hora. Deixa te ver, sua maldita, uma vezinha só. Ai, por favor. Minha santinha querida. Por favor.

*
Sem mais.
*
PERAÍ!! Avec de + :))

Incrível é a similaridade das reações que temos quando eles nous quittent / when we are dumped; quando levaos o fora, ain't it, Jack?
 
Peut-être, Maybe so

Thiago.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Poema tão lindo que me fez retomar as postagens...

...espero conseguir manter uma regularidade. Recomendado por una amiga colombiana.

Discurso de eva - Poemas de Carilda Oliver Labra


Discurso de eva
Poema publicado el 10 de Noviembre de 2008

Hoy te saludo brutalmente:
con un golpe de tos
o una patada.
¿Dónde te metes,
a dónde huyes con tu caja loca
de corazones,
con el reguero de pólvora que tienes?
¿Dónde vives:
en la fosa en que caen todos los sueños
o en esa telaraña donde cuelgan
los huérfanos de padre?
       
Te extraño,
¿sabes?
como a mí misma
o a los milagros que no pasan.
Te extraño,
¿sabes?
Quisiera persuadirte no sé de qué alegría,
de qué cosa imprudente.
       
¿Cuándo vas a venir?
Tengo una prisa por jugar a nada,
por decirte: «mi vida»
y que los truenos nos humillen
y las naranjas palidezcan en tu mano.
Tengo unas ganas locas de mirarte al fondo
y hallar velos
y humo,
que, al fin, parece en llama.
       
De verdad que te quiero,
pero inocentemente,
como la bruja clara donde pienso.
De verdad que no te quiero,
pero inocentemente,
como el ángel embaucado que soy.
Te quiero,        
no te quiero.
Sortearemos estas palabras 
y una que triunfe será la mentirosa.        
Amor... 
( ¿Qué digo? estoy equivocada,
aquí quise decir que ya te odio. )
¿Por qué no vienes?
¿Cómo es posible
que me dejes pasar sin compromiso con el fuego?
¿Cómo es posible que seas austral
y paranoico
y renuncies a mí?
       
Estarás leyendo los periódicos
o cruzando
por la muerte
y la vida.
Estarás con tus problemas de acústica y de ingle,
inerte,
desgraciado,
entreteniéndote en una aspiración del luto.
Y yo que te deshielo,
que te insulto,
que te traigo un jacinto desplomado;
yo que te apruebo la melancolía;
yo que te convoco
a las sales del cielo,
yo que te zurzo:
¿qué?
¿Cuándo vas a matarme a salivazos,
héroe?
¿Cuándo vas a molerme otra vez bajo la lluvia?
¿Cuándo?
¿Cuándo vas a llamarme pajarito
y puta?
¿Cuándo vas a maldecirme?
¿Cuándo?
Mira que pasa el tiempo,
el tiempo,        
el tiempo, I
y ya no se me aparecen ni los duendes,
y ya no entiendo los paraguas,
y cada vez soy más sincera,
augusta...
       
Si te demoras,
si se te hace un nudo y no me encuentras,
vas a quedarte ciego;
si no vuelves ahora: infame, imbécil, torpe, idiota,
voy a llamarme nunca.
       
Ayer soñé que mientras nos besábamos
había sonado un tiro
y que ninguno de los dos soltamos la esperanza.
Este es un amor
de nadie;
lo encontramos perdido,
náufrago,
en la calle.
Entre tú y yo lo recogimos para ampararlo.
Por eso, cuando nos mordemos,
de noche,
tengo como un miedo de madre a quien dejaste sola.
Pero no importa,
bésame,
otra vez y otra vez
para encontrarme.
Ajústate a mi cintura,
vuelve;
sé mi animal,
muéveme.
Destilaré la vida que me sobra,
los niños condenados.
Dormiremos como homicidas que se salvan
atados por una flor incomparable.
Ya la mañana siguiente cuando cante el gallo
seremos la naturaleza
y me pareceré a tus hijos en la cama.
       
Vuelve, vuelve.
Atraviésame a rayos.
Hazme otra vez una llave turca.
Pondremos el tocadiscos para sIempre.
Ven con tu nuca de infiel,
con tu pedrada.
Júrame que no estoy muerta.
Te prometo, amor mío, la manzana.

Gracias Velasca.

Thiago.