sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Diario de bordo.

Coloco aqui algo escrito enquanto estive em outros cantos nestas férias. Tá meio parecido com o outro relato, mas é um registro, um olhar diferente, feito sob um outro estado de espírito. "Ai vaí" rs:

"1ª Sexta feira em Cujubim - RO - outro Brasil [era 23 de julho]
Uma tarde escaldante por si só se esquentou ainda mais devido a uma série de acaloradas discussões aquecidas por uma série de proposições, contraposições e ironias. O debate é característica de um grupo de trabalho e, aos poucos, como hoje, venho percebendo que, de fato, somos um grupo.
Trabalhamos juntos, com determinação, para além dos planos. A concentração em torno dos processos que se procura aplicar a uma dada realidade, a um dado lugar é apenas uma impressão a priori. Tal imagem é reflexo de espelhos(representações) opacos, os quais buscam exprimir 'aquilo que não está imundo'. [aquilo que não e o mundo, digo hoje]
Logo, a guinada, ou melhor, a alteração dos parâmetros com que se opera em uma realidade antes desconhecida é (deveria ser) esperada - é algo natural.
Com isso em mente, mesmo que de maneira sutil, buscamos adaptar nossos pãdrões de operação a Cujubim.
Durante a primeira semana cumprimos com nossa parte no trato e à medida que as tarefas iam se cumprindo sentimos a cidade, vivemos a alegria das crianças expressa em seus olhos brilhantes, nos chocamos com os dilemas de seus professores, que a despeito de penarem em meio a uma realidade difícil, levam um sorriso em seus rostos, bem como a disposição para trabalhar por tempos melhores.
Quando há algum tempo para relaxar fico relegado à tormenta dos furacões, das mulheres. Digo:
A fórmula

SUPRESSÃO CONSENSUAL DE DETERMINADAS LIBERDADES INDIVIDUAIS
+
MULHERES VIBRANTES
+ (associada a)
UMA ATMOSFERA DE EXPECTATIVA
resulta = em

DESASTRE. Senão no vento, na terra, no tempo, em mim.

A rotina cansa, mas não é frenética, pois procuro acreditar no sentido de tudo isso entre pernas, olhos, leituras, exposições, caminhadas e conversas animadoras com pessoas de grande alma.

Ah, eu com ela em um barco a vela
Ah, e também os passeios de bicicleta, os testemunhos de quem vive (n)esta realidade. [impagáveis, mesmo]
E, de repente, eu me pego aqui com os raios do soldisputando com uma nuvem grande a chance de se jogar em minha face em um fim de tarde nada peculiar para outros, mas para mim valioso.
Quando este sol bate em meu rosto percebo quão sortudo sou por estar aqui, hoje, desse jeito.
Eu sigo à procura de um motivo motor, de uma razão para seguir.
Parece-me que posso encontrá-la se limpar bem as minhas vistas."
No papel, eu assino e digo que via um caminho luminoso na noite, mas não gostei e tirei agora. É o que escrevi.
(...)
Tá frio, e tá bonito, esse inverno...
Thiago.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Presta atenção, cara!

Disse pro meu colega de quarto:

- Presta atenção, cara! Fiz um poema. Escuta aí!
- Manda!
- Tá! Lá vai:

E, então
um pico de impressão
me fez perder a noção
De súbito, sem objeção
algo, algo veio e drenou
minha atenção

Em uma espiral de tontura
como que em um furacão

Acontecimento alterador de minha percepção
de tempo, de espaço, de sensação (ou sensações!?)
aeroespacial, psico-analítica
político-social
de meu tato, de meu senso, da minha intenção

Uma rápida oscilação
nos índices que me cercam
na importância dos segredos a que me apego
na solidão a que, por vezes, me relego
modifica meus níveis de pressão
incapacitando-me de desempenhar qualquer
medição
detecção
ou
caracterização
de um tal fenômeno
ou mesmo de sua duração

Em posterior reflexão
exercício para clarear a visão
assumo-me familiar à suposição
de que é adorável
o fato de que as impressões venham e vão;
e que virão.

- Moral da história, diz ele: falta de mulher.

E eu ri muito. O que eu ia falar?

Thiago.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

The CujuDream is over.

...what have they done to the earth?
What have they done to our fair sister?
Ravaged and plundered and ripped her and bit her
Stuck her with knives in the side of the dawn
And tied her with fences and dragged her down...
(The Doors, When the music is over)

Os gráficos estão ascendendo.
A cidade está crescendo!
E uma infinidade de ratos roendo
esta
imensidão de vida,
que, apesar de cada vez mais devastada,
um dia ousou se chamar
floresta.

Estou de volta, depois de passar por uma das experiências mais intensas de minha vida, eu cheguei. Venho de um lugar cuja realidade eu intentava apreender e entender apenas, mas que, sem perceber, acabei tomando para mim.

Canso de me reportar no singular sobre dias vivenciados em conjunto. A cada instante, nos momentos em que partilhamos nossas idéias, nossos bons votos, nossas premeditadas contribuições a uma realidade ainda desconhecida aquilo foi vivido coletivamente com pessoas que se tornaram cada vez mais familiares, desde as primeiras impressões de um lugar diferente até o fim. Isso não se deu à toa, não, pois fomos CALORosamente recebidos por todos, especialmente pelo tempo.


Aos poucos vivenciamos os dilemas de pessoas batalhadoras, que se negam a ser prisioneiras das circunstâncias, que não se entregam; pessoas dispostas a trabalhar e com a alegria estampada em suas caras. Isto, esta vontade de viver, esta esperança NOS saltava aos olhos e seus olhos também nos saltavam, principalmente os olhos brilhantes de suas crianças.


Fizemos amigos em CANCUNjubim aproximando-nos de nosso público, recebendo visitas e convites, visitando um recanto. Convivemos com um pessoal que gosta de atenção, de um olhar apreensivo.

AQUELA poeira e AQUELE calor, juntos, iam nos irritando e deixando saudades de uma só vez. A noção de que aquilo era finito fazia-nos pensar em como contribuir com algo mais à vida daquelas pessoas.

As discussões eram eventuais, afinal éramos um grupo e tivemos a sorte de não nos entregarmos ao mal-estar. Eu acho que descobri o porquê disso quando um amigo (ou novo irmão) se referiu a tudo aquilo como “uma convivência de família por 15 dias”. rs Quem sabe seja esta a resposta...

Tudo isso me marcou. Renovei minhas energias para dar conta do que está por vir. Quero sempre preservar o ânimo daqueles acalorados dias de sol e poeira, aqueles sorrisos e o brilho dos olhos em minha face, em minha vida. Quero sempre ter em mente um ideal de simplicidade que descobri ao notar que com bons amigos em torno de uma mesa não existe a necessidade de se preocupar com o tipo de música ou ambiente e até mesmo com a sujeira – pouco, muito pouco, basta para se ser feliz.

Eu não deixarei aquele povo “SANGUE BÃO” sumir de minhas vistas, que sempre estejamos juntos. Faltará o brilho do sol batendo nas meninas naquele belo entardecer, faltarão os repentes e aquelas específicas companhias, mas não me faltarão as boas lembranças.

Agora eu brinco com as palavras finais de Sal Paradise:

“Assim, NO BRASIL, quando o sol se põe e eu sento na velha e arruinada PONTE do rio olhando os longos, longos céus acima de MINHA CIDADE, e posso sentir toda aquela terra rude se derramando numa única, inacreditável vastidão até a AMAZÔNIA e toda aquela estrada seguindo em frente, todas as pessoas sonhando nessa imensidão, e em CUJUBIM eu sei que agora as crianças devem estar chorando na terra onde deixam as crianças chorar, e esta noite as estrelas vão aparecer, você não sabe que Deus é o CRUZEIRO DO SUL? E a estrela do entardecer deve estar morrendo e irradiando sua pálida cintilância sobre a FLORESTA antes da chegada da noite completa que abençoa a terra, escurece todos os rios, recobre os picos e oculta a última CLAREIRA e ninguém, ninguém sabe o que vai acontecer a qualquer pessoa, eu penso naqueles AMIGOS, COM ESPECIAL E DISTINTO CARINHO E EM CADA UM; EU PENSO NELES.”

É uma adaptação do final de ON THE ROAD de Jack Kerouac a Cujubim. rs

E, por fim, uma música pra descontrair, algo que

QUEREMOS SABER, por Cássia Eller: http://www.youtube.com/watch?v=UcLdx_3hge4

Um abraço muito apertado em todos e um beijão pras prendas, com todo o meu carinho e do fundo de minha alma,

Thiago.