quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Presta atenção, cara!

Disse pro meu colega de quarto:

- Presta atenção, cara! Fiz um poema. Escuta aí!
- Manda!
- Tá! Lá vai:

E, então
um pico de impressão
me fez perder a noção
De súbito, sem objeção
algo, algo veio e drenou
minha atenção

Em uma espiral de tontura
como que em um furacão

Acontecimento alterador de minha percepção
de tempo, de espaço, de sensação (ou sensações!?)
aeroespacial, psico-analítica
político-social
de meu tato, de meu senso, da minha intenção

Uma rápida oscilação
nos índices que me cercam
na importância dos segredos a que me apego
na solidão a que, por vezes, me relego
modifica meus níveis de pressão
incapacitando-me de desempenhar qualquer
medição
detecção
ou
caracterização
de um tal fenômeno
ou mesmo de sua duração

Em posterior reflexão
exercício para clarear a visão
assumo-me familiar à suposição
de que é adorável
o fato de que as impressões venham e vão;
e que virão.

- Moral da história, diz ele: falta de mulher.

E eu ri muito. O que eu ia falar?

Thiago.

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