Por um de meus novos amigos, o real Ivan.
Suas palavras descrevem um inusitado encontro ao alvorecer de 2011.
:
http://vireoverso.wordpress.com/2011/01/01/sobre-o-nascer-do-sol-um-violao-e-o-encontro-subito/
Sobre o nascer do sol, um violão e o encontro súbito
01/01/2011 at 7:33 PM (Vire)
Cinco da manhã, amanhecendo na praia, no primeiro dia do ano. Tanta loucura desde o início da caminhada que nem ousarei explicar demais. Os sentimentos quando intercalados tornam-se tão confusos que embassam o pensamento ao tentarmos colocá-los em palavras.
E foi assim que me senti nesta virada do ano: intercalando sentimentos, junto a inúmeras pessoas que nem sequer sei o nome. Umas trinta personalidades diferentes talvez, ali, no meio da rua, vangloriando sensações a pessoas de quem nunca ouviram falar antes. Trinta das que tive contato direto, sem esquecer das outras tantas que passavam e te abraçavam, desejando “Feliz Ano Novo” como velhos amigos de infância. Tão natural que, por vezes, até esquecia que eram desconhecidos.
Depois de caminhar à deriva pelas ruas de Santos, encontrar amigos “reais”, abraçar amigos “não reais” e fazer parte de diferentes grupos de pessoas – com destaque para o grupo do qual fiz parte durante boa parte da noite, que andava com um carrinho de supermercado nas ruas, de onde tiravam dele bebidas, empadinhas e até lichia! -, resolvemos dar às boas vindas ao novo ano contemplando o nascer do Sol. O que não esperávamos é que estas boas vindas nos traria uma personalidade ímpar.
Às cinco da manhã, encantados com o céu roxo que se formada como plano de fundo das fotos tiradas, surge uma personalidade tímida, pedindo por acolhimento: “Olá, desculpa me intrometer assim, mas é que vi vocês com o violão aqui e me deu uma vontade de tocar. Posso?”. MAS É CLARO, pensaram todos. Afinal, há horas que caminhávamos com aquele violão entre os braços tentando achar alguém que acertasse o repertório. Daremos a chance a mais um “amigo não real” então, porquê não?
Chance dada, rodinha formada, claridade gritando no céu. Entre as músicas, The Strokes, Beatles, Jack Johnson, Nando Reis e algumas outras canções, só entendidas pelo dono do repertório, enquanto admirávamos o mais novo amigo, vindo direto de Paraná para as areias de Santos nos ajudar a dar boas vindas à 2011.
“Qual seu nome”?, pergunta Thiago Oliveira, apelidado de Paraná por nós, depois de mostrar uma de suas criações musicais. “Marcela”, responde a garota. E num susto, ele retruca “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis (…)“. Machado de Assis, em Brás Cubas. Pena que tanta cultura estava sendo exposta na manhã de um ano novo repleto de coisas inexplicáveis. Com excessão do jornalista e da professora de português apaixonados pelas palavras, o restante não reagiu à altura de sua declaração tão carregada de cultura. Um talento, achado às cinco da manhã, do primeiro dia do ano. Ainda bem!
Algumas outras músicas – entre elas a apresentação de mais duas do repertório pessoal do artista – e outras perguntas e respostas que nos fizessem desvendar melhor aquele amigo “não real” que já queríamos torná-lo real a qualquer custo. Uma única foto para registrar, troca de nomes para a busca em redes sociais.
Era para ser uma virada como outra qualquer, vendo os fogos, bebendo o champagne comprado em promoção, vestidos em roupas brancas e em cores na tentativa de trazer coisas boas em superstições. Acabou virando um encontro. Se estava firmada a amizade entre aquele grupo de pessoas desconhecidas eu não sei. Mas somente aquele momento já nos serviu para mostrar que a vida te surpreende e te apresenta a outras vidas quando você está disposto a recebê-las.
“As coisas valem pelas ideias que nos sugerem”, diria Machado de Assis. E que bom que nos permitimos a troca de ideias. Todas as pessoas que conhecemos hoje, já foram “não reais” pra gente. Que com esse aprendizado possamos trazer mais pessoas “não reais” à nossa realidade, e tirar bom proveito desta troca.
Todos temos histórias para contar. Permitamo-nos então a junção dos roteiros.
[este vídeo "complementava" o comentário --> http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=VbZmOKWFXvI hahahahahahahahahahahahahahaha!]
Suas palavras descrevem um inusitado encontro ao alvorecer de 2011.
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http://vireoverso.wordpress.com/2011/01/01/sobre-o-nascer-do-sol-um-violao-e-o-encontro-subito/
Sobre o nascer do sol, um violão e o encontro súbito
01/01/2011 at 7:33 PM (Vire)
Cinco da manhã, amanhecendo na praia, no primeiro dia do ano. Tanta loucura desde o início da caminhada que nem ousarei explicar demais. Os sentimentos quando intercalados tornam-se tão confusos que embassam o pensamento ao tentarmos colocá-los em palavras.
E foi assim que me senti nesta virada do ano: intercalando sentimentos, junto a inúmeras pessoas que nem sequer sei o nome. Umas trinta personalidades diferentes talvez, ali, no meio da rua, vangloriando sensações a pessoas de quem nunca ouviram falar antes. Trinta das que tive contato direto, sem esquecer das outras tantas que passavam e te abraçavam, desejando “Feliz Ano Novo” como velhos amigos de infância. Tão natural que, por vezes, até esquecia que eram desconhecidos.
Depois de caminhar à deriva pelas ruas de Santos, encontrar amigos “reais”, abraçar amigos “não reais” e fazer parte de diferentes grupos de pessoas – com destaque para o grupo do qual fiz parte durante boa parte da noite, que andava com um carrinho de supermercado nas ruas, de onde tiravam dele bebidas, empadinhas e até lichia! -, resolvemos dar às boas vindas ao novo ano contemplando o nascer do Sol. O que não esperávamos é que estas boas vindas nos traria uma personalidade ímpar.
Às cinco da manhã, encantados com o céu roxo que se formada como plano de fundo das fotos tiradas, surge uma personalidade tímida, pedindo por acolhimento: “Olá, desculpa me intrometer assim, mas é que vi vocês com o violão aqui e me deu uma vontade de tocar. Posso?”. MAS É CLARO, pensaram todos. Afinal, há horas que caminhávamos com aquele violão entre os braços tentando achar alguém que acertasse o repertório. Daremos a chance a mais um “amigo não real” então, porquê não?
Chance dada, rodinha formada, claridade gritando no céu. Entre as músicas, The Strokes, Beatles, Jack Johnson, Nando Reis e algumas outras canções, só entendidas pelo dono do repertório, enquanto admirávamos o mais novo amigo, vindo direto de Paraná para as areias de Santos nos ajudar a dar boas vindas à 2011.
“Qual seu nome”?, pergunta Thiago Oliveira, apelidado de Paraná por nós, depois de mostrar uma de suas criações musicais. “Marcela”, responde a garota. E num susto, ele retruca “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis (…)“. Machado de Assis, em Brás Cubas. Pena que tanta cultura estava sendo exposta na manhã de um ano novo repleto de coisas inexplicáveis. Com excessão do jornalista e da professora de português apaixonados pelas palavras, o restante não reagiu à altura de sua declaração tão carregada de cultura. Um talento, achado às cinco da manhã, do primeiro dia do ano. Ainda bem!
Algumas outras músicas – entre elas a apresentação de mais duas do repertório pessoal do artista – e outras perguntas e respostas que nos fizessem desvendar melhor aquele amigo “não real” que já queríamos torná-lo real a qualquer custo. Uma única foto para registrar, troca de nomes para a busca em redes sociais.
Era para ser uma virada como outra qualquer, vendo os fogos, bebendo o champagne comprado em promoção, vestidos em roupas brancas e em cores na tentativa de trazer coisas boas em superstições. Acabou virando um encontro. Se estava firmada a amizade entre aquele grupo de pessoas desconhecidas eu não sei. Mas somente aquele momento já nos serviu para mostrar que a vida te surpreende e te apresenta a outras vidas quando você está disposto a recebê-las.
“As coisas valem pelas ideias que nos sugerem”, diria Machado de Assis. E que bom que nos permitimos a troca de ideias. Todas as pessoas que conhecemos hoje, já foram “não reais” pra gente. Que com esse aprendizado possamos trazer mais pessoas “não reais” à nossa realidade, e tirar bom proveito desta troca.
Todos temos histórias para contar. Permitamo-nos então a junção dos roteiros.
[este vídeo "complementava" o comentário --> http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=VbZmOKWFXvI hahahahahahahahahahahahahahaha!]
Ivan e outros novos compadres e comadres (também as cumadis e cumpadis de sempre!), haverão (espero) outras ocasiões para fazer valer este encontro, em que criamos novos laços. Foi algo "real", uma evidência de anos que não passam apenas, mas [mesmo que simbolicamente], fazem renascer qualquer coisa dentro de nós.
Qualquer coisa que não sei bem definir: uma nova chama que se acende, mais ânimo para suportar a árdua batalha de um novo ano ou um golpe na hesitação [no medo!] em entrecruzar o olhar e trocar um dedo de prosa com outros? Não sei, mas alguma coisa.
Força pra nós todos neste ano, minha gente!
Um abraço forte àqueles que cruzaram comigo na virada, em um brinde, em uma conversa, em um desejo, em um pensamento solto... [àquelas um beijão rs]
Thiago.
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