terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Quase morremos juntos


(Grande título! Parece manchete, não?)

De relance eu reparo nos teus olhos de uma maneira diferente, como não tinha feito antes. Talvez a luz tenha batido mais transversal, talvez a fumaça não tenha te ofuscado, talvez fosse o momento da equação cósmica pros nossos princípios matemáticos se cruzarem.

Desconhecidos ainda te chamo pra aventura de comprar cerveja pros amigos. Na virada da trama - da estrada - quase acabamos mortos, por um triz, meu bem. 

Vivos, seguimos adiante, mais descontraídos e gratos pelo ar que entrava nos pulmões. Entramos na última opção da rodovia, um restaurante 24 horas capenga e sujo. Te conto do rolê daquele sujo posto de gasolina, recanto das criaturas da noite.

Te chamo pra brindar uma cerva, depois a gente volta pros outros. Tento te fazer sentir em outro lugar - Nice restaurant. Beautiful girl. Makes me feel human again, diria Ronny Woodrof.

Na volta o imprevisto de salvar uns doidos sem gasolina no meio da estrada. Tensão, pois o carro tava parado na pior posição. Contramão de via mal sinalizada, mal iluminada e em reformas.
Missão cumprida, ganhei sua carona pra casa.

Acabei te vendo depois do jogo do Timão sobre o vice-líder, aquele massacre, lembra?

Desde aquele rolê da cerva eu abracei um misterioso vácuo de carinho no tempo e no espaço de nós dois, intervalado pelo percurso que faço de busão nesta mesma estrada em que quase morremos juntos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário