Esporte avesso à finesse do gentleman, de tratos vulgares com os pés ao invés das mãos, espaço
de um campo de incertezas aonde avanço não necessariamente implica em vitória,
misterioso, assim é o futebol. Metáfora de arranjos estratégicos usados nas
guerras que não nos deram cinco anos de folga desde os registros mais
longínquos de nossa história? Reflexo de anseio instintivo e animalesco de
sociedades nômades ao testemunhar seus pontas de lança encurralando gnus,
búfalos ou roedores em uma clareira?
A coisa é que o rolar
da bola toca os corações e o soccer
em oposição ao football - que não
deixa de ser esporte bonito de ver, com arranjos táticos sofisticados e
performances físicas hercúleas dos jogadores – se mostra uma caixinha de
surpresas. É que no futebol, da cancha ao estádio a assimetria de capacidades
das esquipes em jogo, a diferença de recursos humanos conta na maioria das
vezes, em 80 % das vezes, mas não todas as vezes. Às vezes em um improvável face off os times fantásticos, de craques bem pagos e títulos no cartel de altíssimo nível são vencidos por equipes bem organizadas.
É como acontece com os
sonhos e paixões de qualquer cidadão quando confrontados com os pujantes obstáculos
do cotidiano. Tenta manter a posse da bola, avançar pelas intermediárias por
onde passam os maestros adversários (grandes forças que nos testam com os dribles do destino), fazem inversões (mais volume nos nossos enredos), leva um gol e fica
exausto ao tentar acompanhar o melhor preparo dos antagonistas.
É aí que muita gente
desiste. Tenta fazer seu golaço e fica na desvantagem no contra-ataque. Pobre
time pequeno em divisão de uns poucos grandes.
Aí é que entra o tal
de Simeone, que colocou uma molecada tida como classe B pra enfrentar os
grandes times da Europa. Com jogadores promissores e habilidosos buscando se
afirmar na carreira esse homem conseguiu fazer o Atletico vencer. Batendo muito,
obstruindo o meio campo, ofegando e mandando a bola pro mato no fim dos jogos em oposição a uma saraivada de cruzamentos de Bayern e Barça foi como os caneludos do Atleti prevaleceram. Com muita atitude, abençoado com muita sorte, o Simeone novamente consegue chegar à final do campeonato
mais disputado do planeta.
Com Atletico de
Madrid nas finais e Leicester City campeão inglês, 2016 se mostra um ano de bons
agouros pros aficcionados e apaixonados azarões. Seja no futebol ou neste imenso campo de impressões e emoções que é viver.
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