quarta-feira, 26 de maio de 2010

À toa...

Saudações, amigos! [Será que eu devo me reportar a alguém quando escrevo aqui? Vamos descobrir com o tempo...]

Neste espaço também caberão impressões de bons dias e de dias sem graça alguma.

Um lugar onde vontade pra reconhecer quão rápido vem passando a vida - minha e, aposto, também a de vocês - exigindo de nós frieza e coragem pra responder aos mais variados compromissos e estímulos.

Tá bem, temos companhia e ideais para correr atrás, mas, ainda assim, estamos expostos ao cansaço, às dúvidas sobre nossas reais capacidades, ao sabor de dias bons e ruins. Temos máximas para nos animar e um amanhã para acordarmos bem e não mais pensarmos em nossos dilemas, mas em auxiliar outras pessoas quando pressionadas por esse mundão.

A coisa (o problema) está na dificuldade que cada vez mais temos em nos entregarmos a seja lá quais forem as atividades, levantando questionamentos constantes sobre nossas ações.


Este texto de Clarice Lispector é muito bonito e aborda este tipo de hesitação, vejam:

VITÓRIA NOSSA




O QUE TEMOS FEITO de nós e a isso considerado vitória nossa de cada dia.
Não temos amado acima de todas as coisas. Não temos aceito o que não se entende por não querermos ser tolos. Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos, nem aos outros. Não temos nenhuma algria que já tenha sido catalogada. Temos construído catedrais e ficado do lado de fora, pois as catedrais que nós mesmos construímos tememos que sejam armadilhas. Não nos temos entregue a nós mesmos pois isso seria o começo de uma vida larga talvez sem consolo. Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro que por amor diga: teu medo. Temos organizado associações de pavor sorridente, onde se serve a bebida com soda. Temos procurado salvar-nos, mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes. Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de amor e ódio. Temos mantido em segredo a nossa morte. Temos feito arte por não sabermos como é a outra coisa. Temos disfarçado com amor nossa indiferença, disfarçado nossa indiferença com a angústia, disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior. Não temos adorado, por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sido ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer"pelo menos não fui tolo", e assim não chorarmos antes de apagar a luz. Temos tido a certeza de que eu também e vocês todos também, por isso todos sem saber se amam. Temos sorrido em público do que não sorrimos quando ficamos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa candura. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso temos considerado a vitória nossa de cada dia...


(Jornal do Brasil, 26/8/67)

Segue um vídeo do Raul Seixas (Raulzito daqui pra frente) que diz: "Tá muito cedo pra você se acostumar!"

Raul Seixas - Não pare na pista: http://www.youtube.com/watch?v=JOANFAbKdhY

Abraço,

Thiago.


Nenhum comentário:

Postar um comentário