segunda-feira, 11 de abril de 2016

coração dividido

Uma coronária explode [finge que quer explodir] em meu peito, ansiosa em tê-la de volta; por ir voando até lá; por quebrar a quarta parede, invadir teus sonhos e te abraçar bem forte.

Já a aorta, mais comedida e acostumada aos eventuais baques e endorfinados picos das paixões, mais consciente, firma o pulso e estabiliza um peito enquanto momentos de júbilosão lembrados.

Pra quê rimar os dois, dor e amor, não dizia o Caetano?

Mas, ainda assim, pra quê viver então?

É que o samba é permeado por um silêncio diastólico e junto com as sístoles ressonantes de nossas impressões vão trabalhando nossa pobre bombinha no meio do peito, ritmicamente.

Ao mesmo tempo dos músculos mais poderosos dessa máquina que é nosso corpo e coisinha que se parte, que se quebra,

mas porque forte e porque humana,

se refaz.

É que a coisa mesmo é te procurar no sonho mesmo.

Ah, num é.

Ah, é.

Nenhum comentário:

Postar um comentário